O que é que nos distingue dos animais? Certamente somos animais mas, como podemos observar, há diferenças. Nós, seres humanos, temos cultura, tradição, memória. Também temos edifícios, lugares, objetos, luxos, e todo o tipo de construções sociais, entre muitas outras criações.
Ensinaram-nos que os animais não têm cultura, nem tradição, mas
talvez isso não seja a verdade pura, mas sim uma maneira simplista e
confortável de observar o mundo. Primeiro temos que nos perguntar: o que é a cultura?
Cultura pode-se definir como o conjunto que engloba os hábitos, crenças e tradição de uma sociedade. Mas quando pensamos no caso de certos animais, o mundo fica por momentos um pouco confuso.
Tomemos o exemplo do elefante, um animal conhecido por ser couraçado, ter duas presas e uma espécie de probóscide na frente do crânio, e ser conhecido
também pela sua excelente capacidade de memória. Também é um ser
social, já que as fêmeas se reúnem em manadas, lideradas por uma
matriarca. Isto também indica a existência de uma sociedade hierárquica,
o que parece ser algo comum nas sociedades de animais mais inteligentes
do planeta. Os machos infantis mantêm-se na manada das fêmeas por
proteção e alimentação, e quando juvenis tendem a reunir-se em bandos.
Já em adultos, os machos são animais solitários.
Antes de explicar a minha ideia, gostava de relatar o testemunho de James Honeyborne (Produtor Executivo da BBC), para um artigo no DailyMail. Ele diz que numa altura da sua vida, andava pelo delta do Okavango, no Botswana, parte de uma equipa de câmara de três homens, quando foram rodeados por uma manada de elefantes:
"That felt pretty scary — we were miles from our camp and could do nothing but crouch low beside a termite mound and keep murmuring, making small movements to show the animals that we were still alive.These were elephants very much in their natural state; they had never been hunted, and they were simply curious. In turn, three mothers brought their babies to show us to them. It appeared to be for their education — as if the mums were saying: ‘Come here, kids, and look at this!’The babies approached us to within about five or six metres, wiggling their trunks and looking in all directions, and then they would suddenly lock on to us.We could hear these rumblings between mother and calf, as if they were discussing us. This happened three times within about ten minutes, before the matriarch led the herd away."
Uma frase chave neste excerto é: "they were simply curious". Os elefantes são animais conhecidos por serem muito curiosos e 'brincalhões' (no sentido em que uma criança é curiosa e brinca, como forma de aprendizagem).
Se James Honeyborne estiver certo, e de facto estas três elefantes incentivaram as
crias a observarem a equipa de filmagens, comunicando verbalmente com
as mesmas durante o acontecimento, poderemos mesmo estar a falar de
tradição, no sentido que há conhecimento a ser transmitido de geração em
geração. É de notar que James indica ter estado perto de populações de elefantes que se mostravam bastante relaxadas perto de seres humanos.
Poderá isto ser causado, por exemplo, por matriarcas que 'ensinam' as
suas crias de geração em geração com base na sua experiência pessoal
quanto a humanos?
Não consegui encontrar provas concretas que me dessem um sim a esta pergunta, mas se de facto a resposta for positiva, encontramos as principais características de uma cultura
no comportamento destes animais, sendo elas hábitos (o hábito de
influenciar as crias a observar o mundo), crenças (a crença de que o
humano é um ser com a sua própria panóplia de características, aos olhos
do elefante) e tradição (ensinar conhecimentos adquiridos ás novas
gerações).
Desta forma teríamos de aceitar que existem sociedades de elefantes que têm a sua própria cultura, mudando a nossa perspetiva quanto ao mundo em que vivemos, aproximando estes e outros animais de nós enquanto seres inteligentes, e enquanto seres culturalmente ativos.
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